Quem pesquisa a diferença entre Irizar i6 e PB esbarra direto numa confusão comum. PB e i6 não são geração antiga e nova numa linha reta. O i6 estreou em 2012 e o PB só saiu de linha em 2015 — em 2013, 2014 e 2015 os dois estavam à venda, novos, ao mesmo tempo, ao lado do Century II e do Inter Century II, que também só saíram de linha em 2015. Por isso quem quer comprar certo não confia na aparência nem no nome do anúncio: confia na plaqueta, no número de fabricação e no documento do veículo.
A Irizar produziu o PB no Brasil de 2009 a 2015 — o modelo foi apresentado ao país no fim de 2008, no ano em que a marca completava dez anos de Brasil, e saiu de linha em 2015. O i6 estreou aqui em 2012. Ou seja: os dois estiveram à venda, novos, ao mesmo tempo. A chegada do PB ao país está registrada pela Lexicar Brasil e pela Fan Bus; o fim de linha do modelo, pela Wikipédia.

Foto: divulgação Irizar Brasil
Por que a diferença entre Irizar i6 e PB importa pra você
O chassi não decide. O mesmo Mercedes-Benz O 500 RSD pode ter recebido Century, Century II, PB, i6 ou i6S — e a série K da Scania aparece listada tanto para PB quanto para i6. Chassi não define carroceria. Quem procura um “Irizar i6 Scania” ou um “Irizar PB Mercedes” a partir da marca do motor está partindo do dado errado: a mecânica vem do chassi, mas quem define a identidade é a carroceria.
A frente do ônibus também não resolve sozinha. Quando a Irizar lançou o i6, em 2012, na FetransRio, trouxe faróis novos e pequenas mudanças de desenho na frente e na traseira em relação ao PB. Mas repintura e reforma estética existem, e um PB reformado com frente de i6 continua sendo, no documento, um PB. A foto de anúncio pode ajudar a formar uma primeira impressão, nunca a confirmar identidade.
E o nome sozinho carrega ainda mais armadilha do que parece. Existe um terceiro nome que confunde quem procura seminovo: o i6S, sucessor formal do PB em Portugal segundo a Frota&Cia. Na base interna da JM, o lançamento europeu do i6S está registrado a partir de 2018. Existe ainda a sua versão i6S Efficient, que só chegou à América Latina em 2024. Nenhum dos dois é o mesmo produto do “i6” simples que domina o mercado de seminovos hoje: quem vê “i6S” num anúncio está diante de um lançamento europeu de 2018 em diante, e quem vê “i6S Efficient”, de uma chegada ao Brasil só em 2024. São datas bem depois do “i6” que circula no mercado de usados.
Isso muda a régua de comparação de preço. Um Irizar PB seminovo tem carroceria fora de linha desde 2015: não há produção nova desse modelo. Um Irizar i6 segue em produção contínua — reportagens do setor (Blog do Caminhoneiro e Mecânica Online) descrevem uma atualização anunciada para 2026, com frente e traseira remodeladas em faróis Full LED e carroceria mais leve em aço de alta resistência. Um i6 de 2012 não tem nada disso, mesmo levando o mesmo nome do que sai de fábrica agora.
O detalhe técnico
Anúncio que mistura os dois nomes no mesmo texto aparece com frequência, às vezes com o modelo escrito de um jeito no título e de outro na ficha. Quando isso acontece, só o documento resolve. A hierarquia que decide, nessa ordem: a plaqueta de identificação da Irizar fixada na carroceria, o número de fabricação, o CRLV e o VIN. Nota fiscal da carroceria e ficha técnica do ano de fabricação também entram na conferência — descrição do vendedor e fotografia, sozinhas, ficam por último.
Um caso real: um anúncio cadastrado como PB virou i6 depois que o ano, 2016, apareceu fora da janela real do PB — 2009 a 2015.
Depois do nome vem um número, e ele também engana quem não sabe pra que serve. O PB existe em duas classes de altura de carroceria: PB 370 e PB 399 (a chamada “PB Alto”). O i6 soma uma terceira: i6 350, i6 370 e i6 390. Esse número nunca é potência de motor, quantidade de lugares ou tipo de chassi — é só a classe de altura da carroceria, e a classe de uma unidade específica se confirma do mesmo jeito que o modelo: pelo documento, não pela régua no olho.
A linha rodoviária brasileira da Irizar, PB e i6, é sempre de um piso e motor traseiro; não existe versão de dois andares nem de piso rebaixado nessa família. Anúncio ou vídeo que sugerir o contrário está descrevendo outra coisa, não um PB nem um i6 de fabricação nacional.
Na prática: o que conferir na diferença entre Irizar i6 e PB
- Peça a plaqueta de identificação da Irizar e o número de fabricação antes de aceitar o nome do anúncio como definitivo.
- Confira o CRLV e, se possível, o VIN — são os dados que resolvem quando o chassi é o mesmo em dois modelos diferentes.
- Se o anúncio disser “i6S” ou “i6S Efficient”, não trate como sinônimo de “i6”: pergunte o ano de fabricação e a procedência, porque são três produtos com datas de lançamento diferentes.
- Se for um PB, lembre que a carroceria está fora de linha desde 2015 — não há produção nova desse modelo.
- Não decida pela foto da frente: repintura e reforma existem, e frente de i6 num veículo com plaqueta de PB continua sendo, no documento, um PB.
- O número depois do nome (350, 370, 390, 399) é a classe de altura da carroceria — nunca use ele para deduzir motor, lugares ou geração.
Confundir um modelo pelo outro muda a expectativa real de quem compra: se a carroceria segue em produção, qual a geração de tecnologia embarcada e, no caso do i6S Efficient, até quanto se economiza em combustível. A Irizar Brasil aponta até 13% menos consumo nessa versão. É diferença que aparece na revenda, não só no papel. No catálogo de ônibus Irizar da JM Utilitários, o critério pra separar um do outro é o mesmo descrito aqui: plaqueta, número de fabricação e CRLV na mão, não a memória do que “parece” ser.