A Mercedes-Benz apresentou o Mercedes-Benz eCity na Lat.Bus 2026, em parceria com a Caio, que assina a carroceria. É o chassi elétrico de entrada da marca no Brasil, construído sobre a mesma base da família OF, que a própria Mercedes-Benz chama de carro-chefe no Brasil. Ao contrário do fluxo tradicional, em que o comprador negocia chassi e carroceria em contratos separados, o eCity “será comercializado já com carroceria”, segundo o Diário do Transporte.
A feira aconteceu entre 11 e 13 de agosto de 2026, no São Paulo Expo, segundo o mesmo Diário do Transporte — o que passou por lá está reunido na cobertura da Lat.Bus 2026 aqui do blog. O lançamento também marcou os 800 mil ônibus produzidos pela Mercedes-Benz no Brasil, contando chassis e os antigos monoblocos, conforme publicou a Technibus. Uma ressalva de data: a Technibus escreve que a empresa “completa 70 anos de produção de ônibus no Brasil em 2026”, mas a marca só chega aos 70 anos de atividade no país em 28 de setembro de 2026, segundo apurou a Mecânica Online. A feira antecipou a comemoração, não fechou o aniversário.
O que muda pra você
Você não vai encontrar o eCity no seminovo tão cedo. A chegada ao mercado está prevista só para 2027, segundo o Diário do Transporte, e a meta declarada à AutoData é de ao menos 100 unidades já em 2027. Mas o motivo de ele existir vale para quem compra e vende diesel usado hoje. A Mercedes-Benz está mirando cidades menores que não têm caixa para um elétrico caro — a mesma pergunta que qualquer comprador de seminovo faz no balcão: qual chassi aguenta a operação sem virar dor de cabeça.
O pano de fundo, Walter Barbosa descreveu à Technibus, ao ser perguntado sobre a concorrência asiática: “Se você pegar não muito distante, cinco, seis anos atrás, a gente tinha quatro, cinco concorrentes. Hoje tem mais de dez. E daqui a dez, 15 anos vai ter uns 30 concorrentes”. Mais concorrente disputando o mesmo operador é o que empurra a fábrica a baratear a entrada, mirando a prefeitura pequena que hoje não cabe no orçamento de nenhum elétrico.
O eCity custa de 20% a 30% menos que o eO500U, o elétrico atual da marca, com payback declarado de até 6 anos, contra dez anos do outro modelo elétrico da marca — segundo Walter Barbosa, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços Ônibus da Mercedes-Benz, em declaração à AutoData: “Por ser mais barato e ter retorno de pagamento em até seis anos, em vez de dez, como ocorre com o outro modelo elétrico, acreditamos ser mais viável ao operador”. Ele também citou a base do produto — “Vamos ampliar a família OF, nosso carro-chefe no Brasil, que conta com 5 mil veículos vendidos” — e explicou a escolha do piso alto, na mesma entrevista: “O eCity é ideal para municípios que não têm corredores de ônibus nem vias preparadas para piso baixos [sic], estão acostumados a comprar carros prontos e dispõem de orçamentos mais enxutos”.
E aqui está o ponto que interessa a quem já opera diesel: a família OF é presença conhecida entre os ônibus Mercedes-Benz seminovos do catálogo da JM Utilitários. O eCity elétrico não compete com nada do estoque atual — é outra tecnologia, outro preço, outro ano de chegada. Mas o marco de 800 mil unidades produzidas no país é argumento de escala e de disponibilidade de peça que o comprador reconhece, e a mesma arquitetura OF que sustenta o eCity é a que aparece com frequência entre os ônibus urbanos seminovos do catálogo da JM. Quem chega no pátio atrás de urbano raramente pergunta pela bateria — pergunta se acha peça, se o mecânico da cidade conhece o chassi e quanto tempo o carro fica parado quando quebra. São essas três perguntas que decidem a compra no pátio, e é com elas que a OF continua girando na revenda enquanto o elétrico ainda está sendo apresentado em feira.
O outro ganho prático mora no processo, não na bateria. Comprar elétrico hoje costuma significar negociar chassi e carroceria com dois fornecedores, dois prazos, dois contratos. O eCity já sai de fábrica encarroçado pela Caio, e o prazo de entrega cai dos tradicionais seis meses, em média, para quatro, segundo a mesma reportagem da AutoData. Menos etapa, menos risco de descasamento entre o chassi pronto e a carroceria atrasada.
O detalhe técnico do Mercedes-Benz eCity
A autonomia declarada é de 150 quilômetros por carga, número que se repete em todas as fontes consultadas — AutoData, Technibus, Diário do Transporte e Mecânica Online concordam nesse ponto. O comprimento é 12 metros, com piso alto e interior plano, segundo o Diário do Transporte e a Mecânica Online.
Há um número que só uma fonte confirma, mas que muda a leitura desses 150 km: a AutoData publica que a autonomia pode chegar a até 250 quilômetros com recarga de oportunidade de 30 minutos a 1 hora. Nenhuma outra fonte consultada — nem Technibus, nem Diário do Transporte, nem Mecânica Online — repete esse dado, e por isso ele entra aqui com a ressalva: é informação de uma fonte só, não consenso do setor. Se confirmado na ficha oficial, muda a conta de quantos veículos uma garagem pequena consegue operar sem parar para recarga integral entre turnos.
Onde as fontes divergem é justamente no que decide o dimensionamento de garagem e de tomada: a capacidade da bateria e o tempo de recarga. Nenhuma reportagem resolve a diferença, e a ficha técnica oficial da Mercedes-Benz ainda não está pública.
| Dado | AutoData | Technibus |
|---|---|---|
| Bateria | 190 kW | 190 kWh |
| Recarga completa | “carregar por cerca de três horas” | “aproximadamente uma hora e meia a duas horas” |
kW é potência. kWh é energia. São grandezas diferentes, e nenhuma das duas publicações corrige a outra. Pode ser erro de digitação de um dos dois veículos de imprensa — não dá para saber qual. O que dá para dizer é o que isso significa na prática: bateria e recarga são dado de decisão, não de curiosidade. Antes de fechar pedido de um eCity, é conta que se cobra da fábrica com a ficha técnica na mão, não de ouvido pelo que saiu na imprensa.

Do lado da carroceria, fica registrada outra lacuna: nenhuma declaração de executivo nomeado da Caio sobre a parceria apareceu nas coberturas consultadas. Todo o discurso público, até agora, é da Mercedes-Benz.
Na prática
- O eCity chega ao mercado só em 2027 — não é opção de compra hoje, nem elétrica nem usada.
- A base é a família OF, presença conhecida no estoque de seminovos Mercedes-Benz.
- Bateria e recarga têm números que ainda divergem entre AutoData e Technibus — cobrar ficha oficial antes de decidir, quando o produto estiver disponível.
- O ganho mais concreto do lançamento é de processo: compra única, prazo de quatro meses em vez dos seis tradicionais.
- Preço em reais, capacidade de passageiros e garantia de bateria ainda não foram divulgados.
O que dá pra fazer com isso hoje
Enquanto o eCity termina de amadurecer para 2027, o comprador que precisa de solução para agora segue com o diesel — e é aí que a JM Utilitários trabalha todo dia. Se a operação da sua cidade já roda sobre chassi Mercedes-Benz, ou se a dúvida é justamente essa (diesel confiável hoje versus elétrico que ainda vai chegar), vale olhar o que já está pronto para rodar no catálogo de ônibus Mercedes-Benz seminovos da JM.