Volare Attack 10 Híbrido | Foto: Divulgação
A Marcopolo começou a vender o Marcopolo Volare Attack 10 Híbrido na Lat.Bus 2026, feira que vai até 13 de agosto no São Paulo Expo, segundo a Frota&Cia. O veículo saiu do estágio de protótipo: a tração é 100% elétrica, com um motor a etanol que funciona só como gerador — a arquitetura chamada de range extender (REX). A própria fabricante ainda trata o veículo como unidade em validação de operação real, não como produto pronto pra qualquer frota comprar amanhã.
A validação roda com a Sertran Transportes, dentro de uma usina da bp bioenergy, segundo reportagem do Pena e Estrada publicada em 11 de agosto. O motor elétrico é fornecido pela WEG e a bateria chega a até 120 kWh. O gerador a etanol aparece como “HORSE H10 1.0 Turbo” no Pena e Estrada e como “Turbo HR10, três cilindros, 1.0, de 85 kW” no Diário do Transporte — a mesma peça, com duas grafias na imprensa. Guarde esse detalhe: ele é o primeiro sinal de que os números desse veículo ainda estão se assentando.
O que muda pra você
A linha Attack, de micro-ônibus Volare, aparece pouco no seminovo. No catálogo que a JM Utilitários publica hoje não há nenhum Attack 10, e os poucos da família que aparecem são das versões a diesel mais antigas. O Attack 10 é o irmão mais novo: chegou ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2024. Nada disso muda com a versão híbrida. Ela entra como opção adicional lá na frente do funil de compra. O que roda hoje segue rodando.
A diferença que importa pra quem compra ou revende é a seguinte: as versões a diesel dessa família estão no mercado há mais tempo e já aparecem no seminovo com histórico de anúncio, preço e procura formados. O híbrido, segundo a RPA News, ainda está em “projeto-piloto” de demonstração — uma rota operacional definida junto com a Sertran, com acompanhamento contínuo da engenharia da Marcopolo. Essa é a fase que qualquer tecnologia nova de propulsão atravessa antes de virar número confiável de mercado.
Segundo Ricardo Portolan, diretor de Operações Comerciais Mercado Interno e Marketing da Marcopolo, em declaração à RPA News, “este projeto representa um avanço concreto na adoção de novas tecnologias”. Mauro Picinato, CEO da Sertran, contou à mesma reportagem que o projeto nasceu há cerca de três anos — prazo que mostra que a validação não foi decidida da noite pro dia, mesmo com o anúncio comercial saindo agora, na feira.
Pra quem vende ou compra seminovo, a leitura prática é separar as duas conversas. O Attack 10 diesel segue sendo negócio maduro, dentro da categoria dos micro-ônibus rodoviários seminovos que já circulam com histórico conhecido. O híbrido é notícia boa pro setor. Só ainda não tem esse tipo de número fechado por terceiro.
O detalhe técnico do Volare Attack 10 Híbrido
O ponto mais concreto pra acompanhar no Volare Attack 10 Híbrido é a autonomia — e aqui as fontes não batem entre si. O próprio site da Volare, na ficha oficial do modelo, declara autonomia de 500 a 600 km. O Pena e Estrada, em cobertura da feira publicada em 11 de agosto, e a RPA News, em matéria sobre o início da operação com a Sertran, citam de 500 a 650 km. Já o Diário do Transporte, em matéria de 12 de maio sobre a apresentação do veículo em Brasília, registrou “até 450 km“.
| Fonte | Autonomia declarada | Bateria |
|---|---|---|
| Site oficial da Volare | 500 a 600 km | não informada |
| Pena e Estrada, 11/08 | 500 a 650 km | até 120 kWh |
| Diário do Transporte, 12/05 | até 450 km | 122 kWh (3 packs) |
Nenhuma das três fontes explica a diferença, e não dá pra saber daqui qual condição cada número considera — rota, carga, uso do gerador. O que dá pra dizer com segurança é que os três são declaração de fabricante em momentos diferentes, e que a faixa mudou entre maio e agosto. O número que vai valer de verdade — o que um comprador vai poder cobrar como garantia — só sai depois que a Sertran fechar o ciclo de validação com a bp bioenergy. Até lá, os 500 a 650 km divulgados nas redações são expectativa de fabricante, não medição fechada por terceiro independente.

Foto: divulgação Volare/Marcopolo
Outro dado que separa as duas versões, por ora, é o preço. Segundo a Frota&Cia, em cobertura de 11 de agosto, o Volare Attack 10 Híbrido custa cerca do dobro do equivalente a diesel. Luciano Resner, diretor de Engenharia da Marcopolo, disse à Frota&Cia que “o híbrido sempre fez parte do nosso roadmap. O objetivo era evoluir da solução diesel para o etanol e, no futuro, utilizar outras fontes renováveis” — na fala do próprio fabricante, o híbrido é caminho de médio prazo, com o diesel seguindo como base da venda até lá.
Na prática
- As versões a diesel da linha Attack são as mais antigas: o Attack 10 chegou ao mercado em 2024, e o Attack 8 e o Attack 9 vieram antes.
- O Attack 10 Híbrido ainda está em validação de frota com a Sertran e a bp bioenergy; não há número de operação fechado por terceiro.
- A autonomia varia de 450 a 650 km dependendo da fonte, e essa divergência tende a se resolver só depois que a validação terminar.
- O preço do híbrido, segundo a Frota&Cia, gira em torno do dobro da versão a diesel.
- Nenhuma das coberturas da feira tratou da rede de assistência do sistema elétrico — vale acompanhar antes de decidir qualquer compra.
O que acompanhar daqui pra frente
A tecnologia nova é sinal de que o setor está andando, e a JM Utilitários acompanha esse tipo de lançamento porque ele muda a percepção de quem avalia um micro-ônibus Volare seminovo. Enquanto o híbrido termina a validação, quem está nesse mercado pode ver as opções de micro-ônibus urbanos seminovos disponíveis agora, ou entender melhor como o câmbio automático mudou o Volare em outro momento recente lendo sobre câmbio automático no Volare, em números.