Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,0% para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e foi o quinto corte consecutivo: os juros já caíram 1,25 ponto percentual desde março, segundo o DGABC. A série do Banco Central mostra 13,75% de 17 de setembro até 5 de outubro.
O ônibus novo respondeu. Em setembro, 2.744 ônibus foram licenciados, alta de 12,09% sobre agosto e de 18,43% sobre setembro de 2025, segundo o Autoindústria com dados da Fenabrave. De janeiro a setembro, foram 20.873 coletivos contra 21.240 no mesmo período do ano passado, uma diferença de 1,7% para menos. A Fenabrave atribui o impulso de setembro aos incentivos: “Com o desempenho de setembro, alimentado pelas vendas registradas com o apoio dos incentivos do Move Brasil, os ônibus entram no último trimestre muito próximos do volume registrado no ano passado”.
O que muda no financiamento de ônibus para você
Notícia boa primeiro: os juros básicos estão caindo e o ônibus novo voltou a andar. Só que o corte da Selic não vira, sozinho, a taxa que o banco oferece para a sua empresa. Em 17 de agosto, a AutoData registrava Finame entre 16% e 17% e CDC acima de 20%, bem acima da Selic. A mesma matéria traz números do Banco Mercedes-Benz de janeiro a junho: o banco financiou R$ 1,4 bilhão para a compra de ônibus, sendo R$ 865 milhões por meio do Refrota. Não achamos nenhuma medição pública de quanto do corte chegou ao financiamento de ônibus. Por isso, trate qualquer taxa como foto datada, nunca como promessa.
Na nossa leitura, as linhas mais baratas são desenhadas para o ônibus novo. Em 17 de agosto, a Technibus publicou os números do Banco Mercedes-Benz: taxa de 11,5% no Refrota e de cerca de 13,5% no Move Brasil, e ouviu Leonardo Piccinini, do Banco Mercedes-Benz, sobre o rodoviário: “O rodoviário não tem nada”. Segundo ele, o operador de ônibus sabe que o Refrota está lá e se programa para usá-lo. É uma fala de agosto e não descreve o mercado de hoje.
Sobre o Move Brasil, há uma dúvida que precisa de resposta antes de você contar com ele. Não conseguimos confirmar se a linha de ônibus do BNDES segue aberta: os sites do governo e do BNDES estavam fora do ar durante a apuração. A lei sancionada em 14 de setembro torna o Move Brasil permanente para motoristas de aplicativo e taxistas, e o transporte escolar entra por outra lei, segundo o A Crítica. Não é a linha de ônibus de empresa.

O detalhe que a tabela não mostra
Aqui entra a nossa leitura de quem vende ônibus todo dia, e ela não vem de pesquisa. Quando o crédito melhora no ônibus novo, a frota renovada tende a empurrar veículos mais antigos para o mercado de seminovos. A Fenabrave diz que o custo financeiro pesa em veículo pesado. A Agência Brasil registra: “Nos veículos pesados, o custo financeiro tem impacto importante porque estamos falando de um investimento ligado à atividade econômica.”
O lado menos bom cabe numa frase: a produção de chassis de ônibus de janeiro a agosto foi de 19.918 contra 21.243 em 2025, queda de 6,2%, segundo a Anfavea na Technibus. Parece contradizer a alta de setembro, mas os números medem coisas diferentes. A Fenabrave conta os ônibus que os Detrans tornaram aptos a operar, os emplacamentos, e vai até setembro. A Anfavea conta chassis que saíram das fábricas, e o recorte citado vai até agosto. Fábrica produzindo menos e emplacamento se aproximando do ano passado podem acontecer ao mesmo tempo. A mesma matéria da Technibus traz outro número da Anfavea, também de janeiro a agosto: 14.544 chassis emplacados, retração de 7,6%. É uma contagem de chassis, diferente da contagem de ônibus da Fenabrave.
Sobre o Copom, ele não se comprometeu com novos cortes. Segundo o JB, prefere aguardar os dados “até a reunião de 4 de novembro”. O mesmo texto cita a avaliação do Copom de que os indicadores mostram “uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos”. Na nossa leitura, quem for decidir compra agora não deve contar com novo corte.
A JM Utilitários não financia. Ela encaminha o financiamento a bancos parceiros e orienta o que levar ao banco: cada instituição tem a sua lista, e chegar com a documentação da empresa e do veículo em ordem poupa tempo. Taxa, prazo e aprovação são sempre do banco.
Na prática
- Datas: trate 11,5% e 13,5% como taxas de 17 de agosto, não como oferta.
- Simulação: peça taxa, prazo e entrada por escrito, para o veículo exato, em mais de uma instituição.
- Move Brasil: se o plano era a linha do BNDES, confirme antes se ela ainda está aberta.
- Documentos: separe os da empresa e do veículo antes de pedir simulação.
- Calendário: o próximo Copom é em 4 de novembro. Comprar só por esperar novo corte é aposta.
- Prazo: se a compra depende de crédito, peça as simulações antes dessa reunião. Assim você compara as taxas de hoje com as que vierem depois.
- Fretamento no feriado: veja a papelada em fretamento no feriado de 12 de outubro.
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