A frota de ônibus elétricos de São Paulo chegou a 2.009 veículos em 30 de setembro, com a entrega de mais 250 unidades, segundo a Prefeitura. O financiamento do lote, de R$ 547,7 milhões, veio integralmente do BNDES. O lote de 250 inclui 49 articulados. A cidade já tem 30 áreas de carregamento.
Pelas contas da AutoData, são 1.821 ônibus a bateria e 188 trólebus. É notícia boa, e das grandes: o transporte da maior cidade do país está trocando o diesel pela eletricidade em escala.

Ônibus elétricos em São Paulo: o que muda para você
Por que a Prefeitura acelera? A conta de energia. Um ônibus a diesel gasta em média R$ 25 mil por mês com combustível; a eletricidade fica em torno de R$ 5 mil. Daí os R$ 240 mil por ano e os R$ 2,4 milhões em dez anos por ônibus, cálculo da Prefeitura reproduzido pela AutoIndústria. O prefeito Nunes repetiu os números em vídeo do Diário do Transporte: no diesel, “a gente gasta 25 mil [reais] por mês de óleo diesel”, e na eletricidade, “4 mil e pouco, 5 mil [reais] para arredondar”.
A indústria acompanha. A BYD tem mais de 520 ônibus elétricos em circulação na capital, e só neste ano entregou mais de 300, segundo o Diário do Transporte. A fábrica de Campinas chegou a mil chassis produzidos, tem capacidade para até 2 mil por ano e mais de 620 chassis encomendados para entrega até o fim de 2026.
O lote que fechou o marco também é nacional. Segundo o Diário do Transporte, 94 unidades são Eletra, montadas em São Bernardo do Campo sobre plataformas Mercedes-Benz ou Scania, com carroceria Caio, de Botucatu.
A mesma reportagem detalha parte dessas 94 encomendas. São 18 ônibus para a KBPX, de 15 metros, com três eixos e plataforma Scania; 48 superarticulados para a Via Sudeste, sobre plataforma Mercedes-Benz; e 27 ônibus básicos, de 12 metros, para a Move Buss, também sobre Mercedes-Benz. Ou seja, o que a reportagem descreve mistura tamanhos e configurações, do básico de 12 metros ao superarticulado de corredor.
Uma ressalva em uma linha: a meta de 20% de frota elétrica até 2024, cerca de 2,6 mil veículos, não foi cumprida, segundo a AutoData. A Via Trólebus calcula os elétricos em 15% de uma frota de mais de 13.000 veículos. E os R$ 2,19 bilhões para eletrificação em 2027 são só proposta de orçamento, ainda não aprovada, conforme o Diário do Transporte.
O detalhe técnico: o que acontece com o diesel que sai
Aqui entra a leitura de quem vende ônibus todo dia, e ela é leitura, não medição. Ninguém publicou quantos ônibus a diesel saem da frota paulistana nem a que preço saem. Quem disser que o preço do urbano usado vai cair está afirmando mais do que os dados mostram.
O que existe é opinião de quem negocia seminovo. Em agosto, Hugo Ribeiro do Nascimento, da Hugo Ônibus Seminovos, disse ao Diário do Transporte: “Na revenda de ônibus urbanos, está começando a haver um excedente de veículos a diesel devido à substituição por ônibus elétricos, principalmente na capital São Paulo e em cidades maiores, em especial os de piso baixo e articulados”. Na mesma fala, ele projeta: “[…] acredito que o preço dos ônibus urbanos deve cair um pouco, fomentando o mercado de usados em cidades menores, onde a substituição por elétricos ocorre mais lentamente”.
A nossa leitura caminha na mesma direção, com cautela. A renovação tende a ampliar a oferta de urbano diesel usado, e a demanda mais natural está em cidade menor, onde a troca por elétrico demora mais. Mas o diesel antigo ainda trabalha na capital: em abril, segundo o Diário do Transporte, a Prefeitura atualizou contratos para permitir modelos mais velhos, com medo de faltar veículo para o serviço.
Outra diferença que a ficha esconde: elétrico e diesel são produtos diferentes, e o urbano diesel segue sendo a opção onde não há carregador nem verba para um. Um superarticulado feito para corredor de capital resolve um problema; um urbano de 12 metros em cidade média resolve outro.
Na prática
- Quem busca urbano diesel seminovo deve acompanhar a oferta nos próximos meses, sem tratar queda de preço como certa. Compare por ano, chassi e documentação da unidade.
- Em cidade pequena ou média, o urbano seminovo costuma servir a transporte de funcionários e a serviços locais. Confirme com o órgão responsável se a regra do serviço aceita a idade e a carroceria do veículo.
- Quem opera frota em capital deve olhar a conta do diesel de R$ 25 mil por mês antes de renovar, com a ressalva de que o orçamento de 2027 ainda é proposta.
- Ao ler uma notícia sobre frota nova, separe o que é número de fonte do que é palpite de mercado.
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